A história da Silmara Emerick com o café começou, muito antes do primeiro pé plantado por ela.
Nascida em uma família de produtores rurais, ela representa a quarta geração dedicada à cultura do café na região do Caparaó, em Alto Jequitibá, Minas Gerais.
Foi em 2001 que Silmara deu início ao seu próprio caminho dentro da cafeicultura. Herdou dos pais um pequeno pedaço de terra, onde começou a cuidar dos seus primeiros pés de café. Pouco tempo depois, casou-se e passou a tocar o sítio em família. Durante muitos anos, a produção era exclusivamente de cafés commodities, como era comum na época.
Em 2019, tudo mudou. Ao participar de um curso de prova de café, teve o primeiro contato com o universo dos cafés especiais — e percebeu que café não era tudo igual. Alguns tinham sabores excepcionais; outros, muitos defeitos. A experiência despertou um novo olhar e o desejo de testar a qualidade do que já produziam no próprio sítio.
A mudança veio rápido. Ainda no primeiro ano de produção voltada para a qualidade, os cafés da família foram classificados em diferentes concursos. Isso trouxe reconhecimento, mas principalmente motivação para seguir investindo em melhoria contínua.
No início da transição, havia resistência. Muitos não acreditavam que ela conseguiria alcançar bons resultados produzindo cafés especiais em pequena escala. Hoje, Silmara afirma com segurança: é possível, sim, produzir cafés de alto nível técnico e sensorial — mesmo em uma propriedade familiar.
O café especial não trouxe apenas prêmios. Trouxe também uma nova perspectiva de vida no campo. Silmara afirma que reencontrou, no café, a vontade de permanecer no sítio, ao lado da família, trabalhando com aquilo que ama. E faz questão de reconhecer a importância da base familiar nesse processo: foram eles que estiveram ao seu lado em todos os momentos e não deixaram que ela desistisse.